aspiro aurora que conduz a doces deambulações pelo mundo dos afectos em manhãs tardes e suaves entardeceres até ao ocaso final matinal é o desejo mas não a sua natureza intrínseca pois essa é pertença de todos os tempos percorrer esse cosmos com o denodo de estóicos espíritos todavia abertos plenos de vida cheios de si e dos outros que não temem muito menos aceitam os dilapidadores éditos de terceiros ou de recônditos lugares interiores tentar o amor entre elementos contrários arrostando na água amar o fogo sim ousar o impossível sim ousar falhar sim ousar tentar ainda que perecendo na tentativa lutar contra os quixotescos gigantes que toldam a existência de papel quiçá para por fim constatar que mais não eram do que simples moinhos de vento existir no fundo somente viver assentindo a concessão dos acasos que compomos na busca do outro de nós do outro em nós e de nós no outro então talvez um vetusto lúgubre ocaso dê lugar a uma novel aurora de veludo Rui Amaral Mendes (Na luz do crepúsculo) |
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