
Porto Croft
Wednesday, June 9, 2010
As Lágrimas Estão Todas na Garganta do Mar

Sunday, March 21, 2010
O engate
rente aos grandes cinemas do mar
como se fosses o espelho côncavo de feira
onde posso mergulhar e renegar-me
sim
se olhares o céu lúgubre deste fim de século
se fizeres um movimento de farol com o cigarro
eu - que vou a passar - tudo verei
mas nada será meu
porque não se pode falar com o espectro mudo
do engate - nem o desejo se levantará
para seduzir o corpo daquele que se ausentou
mesmo assim conheço
todas as esquinas da imunda cidade que amo
mesmo assim sofro de insónias - imito o noitibó
o bêbado louco
gesticulo como aquele que já não sou e
outro não serei
mantenho-me de pé e fumo
dentro deste túmulo de incertezas onde
nos encostámos de mãos enlaçadas à espera
que uma qualquer cesura nos agonie e sejamos
obrigados a vender o corpo já usado
aos insuspeitos violadores de poemas
Al Berto
Monday, January 25, 2010
Aurora
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aspiro aurora que conduz a matinal é o desejo tentar o amor entre elementos contrários existir Rui Amaral Mendes |
Rui Amaral Mendes, aqui e no Frágil |
Saturday, January 9, 2010
Postais do Tempo - Construção
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[All photographs © by M.João: all rights reserved] |
| Maria Bethânia - Casinha Branca (Veja Vídeo) |
Da vida, principalmente. Ãh?… nada disso importa? … Conheço quem gostaria de ser recordado como um pequeno Gandi, outros como pequenos Freud, como Madres Teresa, Madames Curie, Padeiras de Aljubarrota. Construção por construção, escolheria deixá-la em dois passarinhos enfeitando o pátio de uma “Casinha branca”. Maria João |
Thursday, December 31, 2009
O último dia
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| O último dia do ano Não é o último dia do tempo. Outros dias virão E novas coxas e ventres te comunicarão o calor da vida. Beijarás bocas, rasgarás papéis, Farás viagens e tantas celebrações De aniversário, formatura, promoção, glória, doce morte com sinfonia E coral, Que o tempo ficará repleto e não ouvirás o clamor, O último dia do tempo Recebe com simplicidade este presente do acaso. Teu pai morreu, teu avô também. O recurso de se embriagar. Surge a manhã de um novo ano. As coisas estão limpas, ordenadas. Carlos Drummond de Andrade |
Rui Amaral Mendes, aqui e no Frágil |
Postais do Tempo - Éter
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[All photographs © by M.João e A.C.: all rights reserved] |
| Jeff Buckley - Hallelujah (Veja Vídeo) |
Que gritos são estes? Que fazemos aqui? Os blogues são a coisa menos delicada que conheço. Como todos sabem, delicados, mesmo, são os Dim Sum, Maria João |
Sunday, December 27, 2009
Uma visão...
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Porquê reclinar-se, interrogar-se? Porquê eu e todos adormecidos? Walt Whitman |
Rui Amaral Mendes, aqui e no Frágil |
Monday, December 21, 2009
Postais do Tempo - Delicadezas
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Dim Sum e Hallaca [All photographs © by M.João : all rights reserved] | |
| Pink Martini - Kikuchiyo To Mohshimasu (Veja Vídeo) | |
O Dim Sum é a coisa mais delicada que conheço. São pequenos bolos salgados ou agridoces - cozidos no vapor, ou fritos - envolvidos em massa fina de pão, recheados de peixe, marisco, carne, ou legumes. Por falar em delicadezas, acompanhei recentemente, durante 48 horas emocionantes, uma refeição mais elaborada, confeccionada por amigas venezuelanas: a Hallaca. São delicadezas assim que curam lamentos destes: “Kikuchiyo To Mohshimasu… Furueteta... furueteta… Itsuka sahishiku, itsuka sabishiku… Nureteita....nureteita” (Her name was Kikuchiyo… Why this sadness... why this sadness?… And then, the blush in her tender cheeks…Turned to tears… lonely tears) Maria João | |






